Ao longo do último mês, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar as urnas eletrônicas. Segundo o ex-capitão, que mente cerca de sete vezes por dia, em live transmitida pelas redes sociais, o Exército teria identificado “vulnerabilidades”, sem especificar quais seriam e ainda cobrou respostas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a afirmação.

Obviamente era mais uma informação falsa de Bolsonaro. Segundo o TSE, que já respondeu os questionamentos, os militares pediram informações para compreender o funcionamento das urnas eletrônicas, sem nenhum comentário ou juízo de valor sobre segurança ou vulnerabilidades. A urna eletrônica segue, desde sua adoção em 1996, sem nenhuma comprovação de fraude.

Mesmo assim, os ataques bolsonaristas ao sistema eleitoral brasileiro seguem cada vez mais intensos. Segundo o estudo Desinformação On-Line e Contestação das Eleições, feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP-FGV), nos últimos 15 meses, foram feitas 394.370 postagens no Facebook sobre alegadas fraudes eleitorais, o que gerou mais de 111 milhões de interações.

Entre as contas que concentram grande parte das interações nas postagens no Facebook sobre fraude nas urnas e voto impresso estão nomes ligados à cúpula bolsonarista e já citados com membros do braço político das milícias digitais como os deputados Carla Zambelli (PSL), Bia Kicis (PSL-DF), Filipe Barros (PSL-PR), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carlos Jordy (PSL-RJ) e o próprio presidente Jair Bolsonaro.

Campanha de desinformação

Em entrevista à jornalista Patrícia Campos Melo no jornal Folha de S. Paulo, o coordenador da pesquisa e chefe da DAPP-FGV, Marco Ruediger, afirma: “A campanha de desinformação contra o processo eleitoral não arrefeceu, continua muito intensa e é comandada por um mesmo grupo de pessoas e grupos”.

Para Ruedigger esta ação “é desinformação muitas vezes custeada com dinheiro público, impulsionada com fundo partidário”. Segundo ele, há um processo para preparar uma contestação dos resultados em caso de derrota eleitoral, da mesma maneira que políticos republicanos nos EUA fizeram em 2020.