Vindos de outra região, eles estavam alojados em locais precários, tinham jornadas exaustivas e ainda ficavam sem as gorjetas.

Dezessete pessoas foram resgatadas de situação de trabalho análogo ao de escravo na zona norte da cidade de São Paulo, todas trabalhando em em restaurantes de sushi. O prato da culinária japonesa deu nome à operação, deflagrada após denúncia sigilosa. Todos os estabelecimentos pertencem ao mesmo grupo.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, “a ação constatou que os trabalhadores, provenientes do Nordeste, não haviam sido registrados no e-Social, eram alojados em condições degradantes e realizavam jornadas de trabalho extenuantes que podiam chegar a 14h diárias”. Além do MPT, participaram da Operação Sushi integrantes da Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo (representação local do Ministério do Trabalho) e da Polícia Federal.

Casas sem higiene

Assim, de acordo com a fiscalização, os funcionários ficavam em condições consideradas degradantes. “Os empregadores alojavam os trabalhadores em duas casas sem higiene, em que dormiam em colchões imundos e sem roupa de cama, com paredes úmidas e completamente mofadas e alto risco de incêndio no local”, relata o MPT. “Trabalhadores em uma das casas eram obrigados a dividir um chuveiro quebrado, em pleno inverno, dentro do banheiro sujo. Um deles afirmou que há cinco dias não se banhava por frio.” O auditor fiscal Paulo Roberto Warlet da Silva afirmou que isso, “além de atingir sua dignidade, era incompatível com a higiene exigida pela vigilância sanitária nos restaurantes”.

Além disso, uma testemunha cuja identidade foi mantida em sigilo disse à força-tarefa que os trabalhadores iniciavam a jornada às 8h no preparo dos alimentos, mas o cartão de ponto só era batido ao meio-dia por outras pessoas. Como os restaurantes recebiam pedidos até as 23h, eles tinham que permanecer até que o último fosse atendido. “Outra constatação na diligência é que os restaurantes se apropriavam de valores pagos aos empregados, como as gorjetas, e nunca recebiam pelas horas extras”, diz ainda a Procuradoria.

A empresa teve que comprovar a formalização de registros e pagamento de verbas rescisórias. Também se comprometeu a reformar os alojamentos. Enquanto isso, os empregados ficarão em hotel. Está prevista reunião, na semana que vem, para discutir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), além de reparação por dano moral individual e coletivo. “Muitas pessoas vêm pra São Paulo com a ideia de uma vida melhor, mas frequentemente a realidade encontrada por aqui é bem diferente”, comentou a procuradora do Trabalho Alline Oishi Delena.

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